Quase todo pedido para um evento grande chega do mesmo jeito: "vão ser umas mil pessoas, quantas caixas eu preciso?". Às vezes a pessoa já traz a resposta pronta, quatro caixas, por exemplo, e só quer o preço.
O número de pessoas importa, mas ele sozinho não diz qual som o evento precisa. Antes de contar caixa, a pergunta que realmente define o sistema é outra: o som vai ser para fala ou para música?
Fala e música pedem sistemas diferentes
Evento de fala é abertura com locução, premiação, discurso, palestra, gincana com apresentador e sorteio. O objetivo é que todo mundo entenda o que está sendo dito, do primeiro ao último da plateia. Aqui não precisa de volume alto. O que pesa é a clareza, e ela vem de o som chegar por igual em toda a área.
Evento com música é show, banda, DJ, pista de dança e confraternização com som ambiente forte. Esse som precisa de pressão e grave, o que pede caixas maiores, subwoofers e mais potência. Para o mesmo público, um show pede um sistema bem mais robusto que uma premiação.
A maioria dos eventos grandes é mista: tem a parte falada (abertura, entrega de prêmios) e depois a parte de música. Nesse caso o sistema é dimensionado para a parte mais exigente, que é quase sempre a música, e a fala sai clara de carona.
Por isso, quando você pede um orçamento, uma das primeiras perguntas que fazemos é como vai ser a programação. Não é burocracia: é essa resposta que define o tamanho do PA.
Por que quatro caixas espalhadas não cobrem mil pessoas
É a ideia mais comum: "coloca uma caixa em cada canto que cobre tudo". Na prática, isso costuma dar errado de três jeitos:
- Quem está perto de uma caixa leva o volume na cara, e quem está no meio do público, longe de todas, ouve fraco.
- O som de caixas distantes chega em tempos diferentes. O som anda mais ou menos um metro a cada três milésimos de segundo. Quem está entre duas caixas a 30 metros uma da outra ouve a mesma frase duas vezes, com um atraso perceptível. Na fala isso vira eco, e as palavras embolam.
- Caixa de som comum não foi feita para jogar som longe. Ela atende bem uma sala ou um salão. Ao ar livre, com mil pessoas, perde força rápido.
Em resumo: mais caixas não é igual a mais cobertura. O que resolve é um sistema pensado para a área.
Como se cobre um público grande de verdade
O desenho que funciona costuma ter duas partes.
O PA principal, perto do palco. São as caixas do sistema, com subwoofers, posicionadas nas laterais do palco e apontadas para o público. O porte do PA (micro, pequeno, médio, grande) é escolhido pelo tamanho da área e pelo tipo de som. Explicamos cada porte no artigo Tipos e portes de PA.
Caixas de delay, no meio do público. Quando a área é profunda, o som do PA chega fraco no fundo. Em vez de aumentar o volume na frente (e ensurdecer quem está perto do palco), colocam-se caixas de reforço mais para o meio ou o fundo. O detalhe que faz isso funcionar é que essas caixas são atrasadas eletronicamente, para o som delas sair junto com o som que vem do palco. Quem está no fundo ouve um som só, limpo, como se estivesse mais perto. Sem esse ajuste, as caixas de reforço fariam exatamente o eco que descrevemos acima.
Para quem quer o lado técnico, explicamos isso no artigo Front fill, side fill e delay.
O que mais entra num evento desse porte
Som para mil pessoas raramente é só caixa. Em geral o pacote inclui também:
- Mesa de som operada por técnico durante todo o evento, ajustando volume e equalização conforme a programação muda.
- Microfones sem fio para apresentador e convidados. Em premiação e gincana, vale ter pelo menos dois.
- Retornos no palco. É o item que mais se esquece de pedir. Quem está no palco precisa se ouvir; sem retorno, o apresentador fala alto demais ou fica inseguro, e a fala perde qualidade.
- Computador ou notebook para vinhetas, trilhas e vídeos.
- Palco e painel de LED, quando o evento tem apresentação ou conteúdo em vídeo. Para mil pessoas, o telão é o que faz o fundo da plateia acompanhar o que acontece lá na frente.
O que ter em mãos para pedir o orçamento
Para dimensionar certo de primeira, ajuda muito chegar com:
- Cidade e local do evento (o transporte e a montagem entram no valor).
- Público esperado e se o evento é em área aberta ou fechada.
- A programação: o que é fala, o que é música e se tem banda ou DJ.
- Fotos ou medidas da área, principalmente a profundidade, a distância do palco até o fundo do público.
Com isso conseguimos indicar o sistema que entrega o que o evento precisa, sem sobrar equipamento e sem deixar o fundo da plateia sem ouvir.
Resumo
Mil pessoas é o começo da conversa, não a resposta. Primeiro definimos se o som é para fala, para música ou para os dois. Depois desenhamos o PA para a área e, se ela for profunda, colocamos caixas de delay no meio do público. Caixas soltas espalhadas pelos cantos parecem economia, mas costumam virar eco e reclamação.
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